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Eu sei, mas não devia

Esse texto estava na minha prova de português e eu simplesmente amei (o texto, a prova e a professora haha). Anotei o nome escondida e consegui achar pra postar aqui. Ele é interessante pois fala do conformismo que as pessoas tem em relação a vida, no geral, em como as pessoas aceitam coisas que, na verdade, deveriam se revoltar e, de certa forma, lutar contra tal. Leiam e reflitam. ♥

"Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma." - Marina Colasanti


O texto acima foi extraído do livro "Eu sei, mas não devia", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1996, pág. 09.
 
 

Um dia, quem sabe...



Não é que eu queira desistir de você, pelo contrário, quero lutar até que já não haja mais esperança. Mas tem uma voz chata na minha cabeça dizendo "Desiste, nunca vai acontecer! Você só está perdendo tempo e o foco nos seus objetivos." As vezes, sinto que deveria escutar essa voz e me desligar de você. Deixar toda essa imaginação de lado e focar no que realmente importa e que sei que vale a pena pra mim. Mas dói só de pensar em ver você indo embora pra nunca mais voltar. E se pensar já é quase insuportável, ver isso realmente acontecer pode ser devastador. Assim como penso em te deixar ir, em desistir de tudo, também penso em mandar essa voz pra bem longe e seguir meu coração. Continuar lutando, por mais que as chances de dar certo sejam de 0,001%. Essa possibilidade que me motiva a continuar tentando, por mais que eu possa me machucar, por mais que doa, por mais que me falem que é errado e que não vou conseguir, quero tentar. Até o fim. Porque sei que você vale a pena.  Sou boba por acreditar em algo que não tem a mínima chance de dar certo, por acreditar em algo que é uma completa loucura. Mas não me importo. Se não tentar, nunca vou saber.
Mas, se eu pudesse te pedir só uma coisa, pediria que me desse um sinal. Qualquer coisa. Só pra ter a certeza de que vale a pena continuar.

Espero que um dia possa vir aqui contar que, todas as tentativas, todas as decepções, todas as lágrimas, valeram a pena. Um dia, quem sabe.

É hora de crescer, menina!



Crescer não é assim tão divertido quanto imaginei quando era criança. Sempre pensei que, quando chegasse aos quinze anos (ou mais ou menos isso), seria igual nos filmes, onde eu poderia sair quando quisesse, teria amigos super legais (não que os meus não sejam, tá?), faria o que quisesse da vida, daria festas incríveis... E a escola? Seria apenas um detalhe bobo...
Ah, doce ilusão...
Descobri que o buraco é mais embaixo. A escola passou a ser o mais importante, e o resto que virou "apenas um detalhe bobo". E sim, eu sei, a vida de verdade nem começou ainda.  Mas ter que me preocupar com escola, cursos, vestibular, faculdade, emprego, não é fácil! E ter que conciliar isso tudo com tentar realizar meus sonhos e objetivos fora da vida acadêmica complica tudo ainda mais.
Isso tudo confunde minha mente, e, fala sério, essa é a fase que complica a vida de todo mundo, né?
Essa mudança da adolescência pra vida adulta ou quase adulta não é muito divertido, nem tão simples quanto se imagina, mas a vida é assim. Uma hora a gente tem que aprender a resolver nossa própria vida sozinhos, correr atrás do que realmente importa sem esperar por ninguém. É fácil? Claro que não. Mas temos que dar o primeiro passo, e devagar as coisas vão se encaixando. Uma hora ou outra, tudo que planejamos vai dar certo. Se corrermos atrás agora.
O jeito é deixar a preguiça e a melancolia de lado e correr atrás pra conseguir riscar todos aqueles itens daquela "lista de objetivos". Um passo de cada vez e chegaremos lá!